O Infante Dom Henrique e Lagos em destaque na História National Geographic
Numa sessão conduzida pelo vice-presidente da Câmara Municipal, Paulo Reis, foi apresentado em Lagos, esta segunda-feira, no auditório dos Paços do Concelho Séc. XXI, o número 30 da revista História National Geographic, que inclui um ensaio sobre o Infante Dom Henrique e Lagos, o qual mereceu destaque de capa nesta edição.
No decorrer da sessão, o diretor da revista, Gonçalo Pereira Rosa, fez o enquadramento do ensaio no elenco de artigos que a National Geographic tem vindo a publicar sobre grandes descobertas da arqueologia portuguesa, designadamente sobre a notável descoberta - ocorrida nas escavações realizadas durante a construção do parque de estacionamento do Anel Verde - dos restos mortais de 158 indivíduos escravizados (homens, mulheres e crianças) que foram descartados numa antiga lixeira formada durante os séculos XV a XVII no Vale da Gafaria, área atualmente incluída no parque da cidade.
O autor do ensaio e orador convidado, João Paulo Oliveira e Costa, que é também professor catedrático na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova de Lisboa, dissertou sobre a figura do Infante Dom Henrique, personagem incontornável da história de Portugal e do Mundo e principal impulsionador das viagens de exploração do Atlântico que romperam as barreiras do medo e deram início à globalização. Terceiro dos filhos legítimos do Rei Dom João I, Henrique acumulou ao longo dos seus anos de vida uma enorme riqueza. Personalidade controversa, que João Paulo Oliveira e Costa qualificou como «sombria» e «manipuladora», o infante ficou indelevelmente ligado ao movimento de descobrimento inteiro do nosso planeta azul, com todos os seus oceanos e continentes e o mútuo reconhecimento dos povos que nele habitam. Assumindo a sua condição de historiador (aliás dos mais brilhantes e profícuos da nossa Academia), João Paulo Oliveira e Costa aproveitou a ocasião para criticar duramente quem sobrepõe os princípios do ativismo sociopolítico à investigação, conhecimento e análise crítica das fontes escritas e materiais, distorcendo factos e manipulando conceitos, e apresentando uma visão reducionista de figuras históricas, como o infante Dom Henrique.

