Voto de Pesar pelo falecimento do Maestro José Flosa
A Câmara Municipal de Lagos aprovou ontem, em reunião de executivo, um voto de pesar pelo recente falecimento de José António Martins Flosa, figura muito estimada na comunidade, cujo mérito do trabalho, desenvolvido em prol da música e da formação musical, foi publicamente reconhecido, em 2017, através da atribuição da Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro.
Interpretando o sentimento partilhado no seio do executivo em permanência e de toda a vereação, foi igualmente cumprido um minuto de silêncio em respeito e homenagem póstuma à memória de José António Flosa, endereçando à família enlutada, à Sociedade Filarmónica Lacobrigense 1.º de Maio, a todos os seus antigos alunos e músicos, assim como aos amigos que sentem esta perda, os sentidos pêsames da edilidade.
Para quem não teve o privilégio de conhecer e/ou privar com o Maestro José Flosa, reproduzimos as informações de carácter biográfico que constam do teor da proposta aprovada na reunião de 1/7/2026:
“José António Martins Flosa
(1935 – 2026)
José António Martins Flosa nasceu em 1935, em Lagos. Influenciado por seu pai, também ele ligado à música e fundador da Sociedade Filarmónica Lacobrigense 1.º de Maio, desde tenra idade conviveu com as notas musicais. Elegendo o saxofone como instrumento de predileção, evidenciou-se pela mestria com que o dominava, o que lhe permitiu ganhar destaque na animação musical local. Apesar de verdadeiramente apaixonado pelo saxofone, teve, igualmente, o violino e o acordeão como companheiros presentes no seu percurso.
Não obstante os seus exemplares dotes musicais, aos 18 anos integra o serviço militar, onde permanece durante cerca de 30 anos. A música haveria, contudo, de acompanhar este seu percurso militar no Exército, de onde saiu com o posto de 1º Sargento, sempre ligado às bandas militares. Homem apaixonado pela música, convicto e determinado, dedicou-se com igual entrega à vida militar, vendo reconhecido o seu mérito e espírito de sacrifício com o recebimento de vários louvores.
Viveu em inúmeras cidades, destacando-se Lourenço Marques, Tomar, Vila do Conde e Mafra. Em Angola conheceu a esposa, D. Olinda Flosa, com quem teve dois filhos – uma rapariga, hoje professora, e um rapaz, que seguiu as pisadas do pai e do avô, granjeando justo reconhecimento no mundo da música.
Lecionou música em diversas escolas dos concelhos de Lagos e Portimão e desenvolveu um trabalho de grande relevo na formação musical de jovens nas Bandas Filarmónicas de Lagos, Aljezur e Silves, chegando a dirigi-las simultaneamente. Atuou inúmeras vezes em Portugal e além-fronteiras, e, em parceria com o Professor Crisântemo, criou a letra e compôs o “Hino da Cidade de Lagos”, entre outras composições.
Em sinal de reconhecimento à sua dedicação e ao trabalho desenvolvido em prol da música, nomeadamente na Banda da Sociedade Filarmónica Lacobrigense 1.º de Maio, da qual foi maestro, o município atribuiu-lhe, em 27 de outubro de 2017, a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro.
Volvidos nove anos desde esse momento público de reconhecimento, chegou-nos a triste notícia do seu falecimento, sendo justo homenageá-lo uma vez mais, agora a título póstumo, como uma referência do ensino artístico em Lagos. Alguém que soube transmitir o gosto pela música no seu próprio seio familiar e semear a musicalidade em tantos outros jovens, cuja primeira oportunidade de formação artística aconteceu na grande instituição que é a Filarmónica Lacobrigense 1.º de Maio e, a partir daí, cresceram enquanto músicos e desenvolveram novos projetos que se afirmaram no concelho, na região e em contextos ainda mais vastos. Alguém que acreditou ser possível, com muito trabalho e dedicação, ultrapassar obstáculos para cumprir os seus sonhos e que – como outras entidades também já o afirmaram - “ensinou a importância da amizade, da disciplina, da entreajuda e do respeito pelo outro, valores essenciais para a vida em sociedade”. Alguém que deixa obra enquanto maestro e como pessoa.”

